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Dehonianos - Província BSPArtigosA DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO NO BRASIL E EM TAUBATÉ – II

A DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO NO BRASIL E EM TAUBATÉ – II

CAPÍTULO 3
A DEVOÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS NO BRASIL

3.1. A origem do culto ao Coração de Jesus

Ao desenvolver o tema da devoção ao Coração de Jesus queremos, de certa forma, relacioná-la com a feliz coincidência da vinda dos padres do Sagrado Coração de Jesus a Taubaté. Precisamente em Taubaté foi que se construiu uma das primeiras capelas, no Brasil, em honra do Coração de Jesus. Evidentemente não pretendemos escrever a história da devoção ao Coração de Jesus no Brasil e em Taubaté. Pretendemos, tão somente, oferecer ao leitor alguns elementos que favoreceram o desenvolvimento da referida devoção.

Para sermos bem sucintos, podemos afirmar com certeza que a devoção ao Coração de Jesus nasceu da pregação da cruz. Pois desde os primórdios do descobrimento do Brasil, a cruz de Cristo passou a ser a devoção central do povo pela pregação missionária. A veneração à cruz de Cristo esteve sempre entre as mais difundidas pelos padres jesuítas. Pela cruz começava a catequese e sua implantação no terreiro das aldeias era o ato de posse da terra para Cristo. Onde quer que chegassem os jesuítas implantavam a cruz do Senhor. A cruz de Cristo passou a encimar todos os altares tendo, nalgumas igrejas, especial altar para a veneração.

A devoção da cruz logo foi associada ao culto do Cristo Sofredor com o nome de Santo Cristo, Bom Jesus do Bonfim ou Bom Jesus dos Aflitos. Daí que as primeiras festas eram dedicadas à cruz de Cristo. A celebração central do ano era a da Paixão do Senhor, tão concorrida na Semana Santa {cf. Serafim Leite, História da Companhia de Jesus no Brasil, Vol. IV, p. 239; Dom José Carlos de Lima Vaz, sj, “Religiosidade Popular e Evangelização no Brasil”, in: COMMUNIO do Brasil (out. nov. 1992), p. 17}.

Convém salientar que essa devoção ao Bom Jesus, trazida pelos primeiros missionários, tinha duas vertentes, ambas de origem portuguesa: o Jesus crucificado (o Bom Jesus de Matosinhos em Minas Gerais ou Senhor do Bonfim na Bahia) e Ecce-Homo do pretório de Pilatos que o povo denominava o Bom Jesus da Cana Verde (alusão ao cetro ou cana de madeira que lhe foi colocado nas mãos) {cf. Dom José Carlos de Lima Vaz, sj, op. cit., p. 30}.

São inúmeras as igrejas ou capelas do Bom Jesus, muitas consideradas santuários que fazem afluir cada ano centenas de milhares de peregrinos. Basta citarmos alguns santuários do Estado de São Paulo, como o de Pirapora (Vale do Tietê), o do Monte Alto, o do Monte Azul Paulista, o de Monte-Alegre (na região mogiana), o de Bom Jesus de Tremembé (no Vale do Paraíba), o de Bananal (na Serra da Bocaina), de Batatais (cuja igreja possui a célebre decoração de Portinari). Há que se notar também que, juntamente com os santuários marianos, os do Bom Jesus são os mais populares do Brasil {cf. Dom José Carlos de Lima Vaz, sj, op. cit., p. 30}.

Fr. Filipe Luiz, scj (Conventinho SCJ).

 

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