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Dehonianos - Província BSPDestaques NotíciasAINDA O ENCONTRO DOS BISPOS DEHONIANOS

AINDA O ENCONTRO DOS BISPOS DEHONIANOS

Eclesiologia e mundo pluralista

O Encontro dos Bispos Dehonianos teve rica contribuição, oferecida pelo P. Joseph Famerée SCJ, professor na Faculdade de Teologia da Universidade de Luvain – la Neuve (Bélgica). Além disso ele é membro da Associação Europeia de Teólogos Católicos e do Grupo de Dombes. São numerosas as suas publicações sobre Yves Congar, o Vaticano II, temáticas eclesiológicas e questões ecumênicas. Na sua intervenção afrontou o tema eclesiológico, ligando-o à espiritualidade dehoniana.

Uma Igreja missionária

A Igreja não existe para si mesma, mas está a serviço do Reino de Deus para o mundo. É famoso o início da Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium (LG 1). Uma Igreja missionária é, fundamentalmente, um Igreja que renuncia a instalar-se nesse mundo, como se fosse a sua última destinação. É uma Igreja que nutre espiritualmente, litúrgica e teologicamente, sua espera da segunda vinda de Cristo (cf. Ap 22,20).

Este serviço apaixonado e gratuito do Reino está em consonância imediata com uma dimensão do carisma dehoniano: Adveniat Regnum Tuum, instaurar o Reino do Sagrado Coração de Jesus nas almas e nas sociedades. O serviço gratuito do Reino (ad extra) deve ser a prioridade da Igreja e deve ordenar e orientar todas as outras problemáticas internas (ad intra) da Igreja. Tudo, na vida (interna) da Igreja deve ser pensado nesta perspectiva.

Uma Igreja em diálogo ecumênico

Esta exigência missionária é inseparável da exigência ecumênica, de diálogo entre cristãos de confissões diferentes. Eis a questão apaixonada que devemos tratar, sempre de novo, e não fica sem impacto sobre a qualidade e a riqueza (católica) do anúncio do Evangelho pela Igreja.

Tal questão não encontrará solução definitiva durante a história humana, mas é importante trabalhar, sem tréguas, entre Igrejas, entre diferentes tradições cristãs, de sorte que antecipe certas realizações provisórias de unidade ou comunhões diversificadas e visíveis.

Simultânea e simetricamente, as questões que são tratadas entre as Igrejas existem, também e antes, ao interno de cada Igreja confessional. A insistência de Padre Dehon sobre o Sint unum, para os seus religiosos, nos impulsiona a ser promotores de unidade e de reconciliação, antes de tudo entre os cristãos. Esta busca de unidade e de reconciliação deve, também, valorizar todas as diversidades legítimas, contanto que não opostas, mas constitutivas da unidade.

Uma Igreja em exílio e na diáspora

A questão migratória contemporânea impele para uma reflexão antropológica e teológica. Em nível antropológico sabemos que, para reconhecer-se, é preciso sair de si para encontrar o outro. Sobre a vertente teológica damo-nos conta de que uma Igreja que sempre foi “migrante” não pode não ser solidária com os novos migrantes.

Na história presente, a existência de uma Igreja aparece sempre em tensão entre reunião (ek-klésia; qahal; con-vocatio) e dispersão (em vista da missão, mas também em função das circunstâncias: perseguições, geografia…). Esta visão rica e dinâmica da Igreja como Povo do novo Êxodo e da nova Diáspora, impregnou com força a teologia e a eclesiologia pós-conciliares, especialmente a teologia da libertação na América Latina.

Esta noção de Povo de Deus, quando tende a enfraquecer-se é suplantada daquela, vaga, de Igreja Comunhão. Dessa forma corre-se o risco de perder o aspecto dinâmico, vivo, flexível, até sadiamente anárquico, de uma Igreja-Povo, em favor de uma Igreja compreendida exclusivamente como Corpo de Cristo, em sentido bastante rígido e hierárquico.

Communio Ecclesiarum (Comunhão de Igrejas)

Um último aspecto foi diretamente endereçado aos bispos no intuito de repensar a dimensão de comunhão. Sobre a base de uma teologia plenária da Igreja local (diocesana, episcopal) seria necessário pensar na Igreja Católica de modo novo. Mais do que agrupamentos de Igrejas locais, dever-se-ia considerar Igrejas regionais autônomas, no sentido de uma comunhão “horizontal” mais intensa, para além de uma relação “vertical” entre cada bispo, tomado individualmente, e o Papa.

Também em nível de Igreja universal, compreendida como comunhão de Igrejas, não há como não pensar o exercício do ministério pessoal do bispo da Igreja local de Roma de forma sinodal ou colegial efetiva com os outros bispos. Tal mudança no modo de governar a Igreja Católica deve acontecer de forma progressiva e gradual por conta das pesadas tendências de tipo monárquico inerentes à tradição católica.

Colocou-se ênfase sobre a prioridade ad extra para acentuar a lógica do serviço ínsita ao Evangelho. Importante é a atenção ecumênica, mesmo que não seja vivenciada com força igual em todos os contextos, uma vez que com a divisão dos cristãos está em jogo a credibilidade do Evangelho. Tocaram-se nós importantes do ser e fazer Igreja, para inspirar novos caminhos e para ser mais capazes de acolher e escutar aquilo que se manifesta.

Rinaldo Paganelli SCJ
http://www.dehon.it/it/index.php?option=com_k2&view=item&id=2234:ecclesiologia-e-mondo-pluralista&Itemid=77
Tradução de E
&L

 

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