O SHOW DO CENTENÁRIO

Show Amigos do Coração. Padre Zezinho SCJ & Convidados

O Começo da História
Sábado, dia 08 de junho de 2019… Há um século os Padres do Sagrado Coração de Jesus vinham a Taubaté, com a missão de conduzir o processo formativo no Seminário Diocesano. Já antes, a 18 de outubro de 1906, viajando do Rio de Janeiro a São Paulo, o próprio Fundador e Superior Geral da Congregação, Padre Dehon, passou por Taubaté. Também P. Pedro Silvestre Storms, que viria a ser o primeiro Superior Provincial da Província Brasil Meridional (hoje desdobrada nas Províncias BSP e BRM) esteve por aqui, em março de 1914, no intuito de dialogar com Dom Epaminondas, sobre o projeto dos padres alemães da Congregação para a formação do Seminário Diocesano.

O certo é que, após peripécias muitas, P. Guilherme Thoneick, P. Fernando Baumhoff e Ir. Luís Cronenbroeck chegaram a Taubaté no dia 20 de dezembro de 1919, sendo recepcionados por Dom Epaminondas na manhã seguinte. No dia 03 de fevereiro de 1920 assumiram, oficialmente, o Seminário Diocesano.

Ao final de 1922 os padres da Congregação compraram uma chácara no bairro do Areão, hoje Vila São Geraldo, popularmente conhecida por Chácara dos Padres Alemães e mais tarde Chácara do Padre Fischer. Com as construções e a instalação da própria casa de formação para os religiosos da Congregação, o local passou a ser conhecido como Conventinho, para distingui-la do Convento capuchinho de Santa Clara, o Conventão.

Precisamente aqui, no Conventinho, um século depois, eis-nos ambientados a celebrar o memorável evento que mobilizou a cidade de Taubaté. Entre 19h00 e 22h00 da noite estrelada e ligeiramente fria de 08 de junho de 2019, nossa memória bebeu canto e história, nossos corações sorveram admiração e expressaram gratidão. Por volta de 19h10, P. Djalma (reitor do Convento SCJ) e P. Joãozinho (um de nossos mais dinâmicos artistas) abriram a solene celebração, noticiada e saudada como o Show do Centenário. A partir das 20h00 a efeméride passou a ser transmitida ao vivo pela TV Aparecida.

Um Caminho de Vitória
Multidões inumeráveis de fiéis participaram dessa história, nas celebrações, nos trabalhos e nas formações. Muitos religiosos e não poucos bispos tiveram aqui a sua formação dehoniana. Toda esta gente ajudou a configurar o rosto do Conventinho, ao mesmo tempo que dele recebeu elementos para construir sua história e dar forma à sua vida.

Há 100 anos “começava… uma belíssima história que deu origem… ao que hoje conhecemos ‘Conventinho’, na Vila São Geraldo. Ali existe hoje também a Faculdade Dehoniana que teve sua primeira aula em 15 de fevereiro de 1924. Já foram formados mais de 1.000 padres e dezenas de bispos nesse pedacinho de chão. Ali viveu um tal de Pe. Pascoal Lacroix que fundou a Editora SCJ em Taubaté e que fez muito sucesso nas décadas de 1930 a 1950. E foi nesse tempo que um menino mineiro, nascido em Machado, vem morar nesta cidade e se torna coroinha do Pe. Lacroix. O mundo inteiro conheceria esse pequeno grande homem como Pe. Zezinho, scj, pelos seus mais de 1.500 livros e cerca de 3.000 canções. Impossível não cantar de cor Maria de Nazaré, Oração pela Família, Utopia e Um certo galileu” (Da apresentação do Show Amigos do Coração).

“PE. ZEZINHO, SCJ: é a pessoa que melhor simboliza essa história de 100 anos. Por isso a Câmara de Vereadores de Taubaté aprovou um projeto de lei que instituiu o dia 08 de junho como o dia da presença dehoniana em Taubaté. Esse dia foi escolhido por ser o aniversário de Pe. Zezinho: 78 anos em 2019” (idem, da referida apresentação).

Eis como o próprio P. Zezinho resume esse caminho de êxito e de vitória: “Esta casa tem 100 anos de oração, reparação, de oblação e de serviço sereno. Tenho 71 anos de ver e vir a esta casa, desde menino. Estas canções nasceram a partir daqui. Com meus irmãos dehonianos louvo, agradeço e peço que orem por todos que aqui viveram e aqui morreram e estão neste solo sagrado; e por nós que levamos adiante estas catequeses” (Pe. Zezinho, contracapa do livreto Show Amigos do Coração).

 

Uma Celebração da Memória
Sem muitas delongas, feitas as saudações de P. Djalma Lúcio Magalhães Tuniz (reitor do Conventinho) e as apresentações prévias de P. João Carlos Almeida, P. Joãozinho (que dirigiu o show com muita competência e discrição), abriu-se o evento centenário, Show P. Zezinho e Convidados. Entre 4.000 e 5.000 pessoas assistiram ao show: bom número de confrades dehonianos, padres diocesanos, amigos das comunidades taubateanas e cidades vizinhas, gente vinda de várias partes do Brasil, junto de alguns bispos (Dom Carmo João Rhoden SCJ, bispo emérito de Taubaté/SP; Dom Antônio Wagner da Silva SCJ, bispo de Guarapuava/PR; Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida/SP; Dom José Carlos Chacorowski, bispo de Caraguatatuba/SP; Dom Wilson Luís Angotti Filho, bispo de Taubaté/SP).

O Grupo Ir ao Povo interpretou lindamente as canções de P. Zezinho “Mãe do Céu Morena” e “Nova Geração”. Os Fratres do Conventinho capricharam na execução de “Amigos do Coração”, também da autoria de P. Zezinho, para, em seguida, irem ao povo com as cruzes dehonianas do centenário. Outra vez entrou o Grupo Ir ao Povo para cantar “O que direi”.

Momento denso foi o Pout Pourri com as músicas do nosso maior homenageado, feito Show tributo, com “Estou pensando em Deus”, “Quando Jesus passar”, “Eu era pequeno”, “Maria de Nazaré”, “Elegia pela Amazônia”, “Um certo Galileu”.

P. Zezinho foi um dos pioneiros na evangelização midiática. Foi se adaptando aos novos tempos e novos meios de comunicação e deles se valeu para a evangelização, com sábias escolhas e proféticas decisões. Não se deixou manipular nem renunciou aos seus ideais de comunicador, catequista e cantor cristão. A TV Aparecida transmitiu o evento ao vivo. Igualmente com link ao vivo fez-se presente a TV Canção Nova. A Rede Vanguarda noticiou a celebração em várias ocasiões e a própria Rede Globo abriu espaço à efeméride no seu programa “Fantástico” do domingo seguinte.

Com as canções “De lá do interior” e “Mataram mais um irmão” retornou o Grupo Ir ao Povo, seguido por Zé Vicente com a magnífica interpretação da “Oração dos Pobres sem voz nem vez”. Ghislaine Cantini apresentou “Maria da minha infância”, ao passo que as canções “Um sonho a mais” e “Iguais” foram interpretadas pelos Cantores de Deus.

Coube a Sônia Mara interpretar “Amar como Jesus amou” e à dupla Celione David & Adriana Melo “Oração por meus amigos”.

Um evento do gênero precisa de muito apoio, também financeiro. Não foram poucas as instituições patrocinadoras que se prodigaram em prodigalizar ajuda para o êxito da comemoração. De qualquer forma, quem mais se empenhou e trabalhou com determinação e competência foi a equipe de coordenação do evento em particular e os fratres em geral, além de muitos amigos que se associaram ao labor comunitário. Foi muito e bom trabalho, bem feito. Parabéns!

Se até ali as interpretações ficaram por conta de artistas que de longa data trabalham com P. Zezinho, um outro grupo de protagonistas foi o de amigos e admiradores da genuína música popular brasileira. Zeca Baleiro apresentou “Vocação” e “Eu tenho fé”, ao passo que Fábio Carneirinho interpretou “Maria de Nazaré” e Mariângela Zan cantou “Utopia”. O cantor

e compositor Renato Teixeira apresentou sua famosa canção “Romaria”, juntamente com outro artista de renome internacional, Fagner. Ambos acrescentaram, da autoria de P. Zezinho, “De volta para o meu interior”. Os mesmos dois, acompanhados pelos demais cantores presentes, interpretaram a “Oração de São Francisco” (da autoria de P. Irala), além de “Minha vida tem sentido” e “Exéquias” (outra vez de P. Zezinho). Com certa surpresa apareceu o genial músico Luiz Karam para, ao piano, acompanhar as músicas de P. Zezinho.

Um momento especialíssimo entre os especiais momentos da noite foi a intervenção do protagonista mor da celebração, P. Zezinho. Contou de sua história e missão, de sua trajetória na evangelização. Em seguida, as Irmãs Paulinas, que há décadas publicam as suas obras, fizeram agradecida e reconhecida homenagem ao seu maior escritor, poeta e cantor.

P. Djalma e o superior provincial da BSP, P. Ronilton Souza de Araújo, fizeram os agradecimentos e Dom Wilson, após breves palavras, abençoou os presentes.

Encaminhando ao epílogo a jubilosa sessão, os Fratres Dehonianos retornaram ao palco para cantar “Amigos do Coração”. Em ato conclusivo, ainda uma vez voltaram Grupo Ir ao Povo, Sônia Mara, Giba e Convidados para a execução de “Oração pela Família”, “Ilumina” e “Cidadão do Infinito”.

 

“As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo” (Epicuro).

 P. Mariano Weizenmann SCJ (pela Comunidade do Conventinho).

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