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Dehonianos - Província BSPDestaquesPREGAÇÃO DE P. ZEZINHO NA SOLENIDADE DO SCJ

PREGAÇÃO DE P. ZEZINHO NA SOLENIDADE DO SCJ

Frágeis, quebradiços e talvez estilhaçados, mas querendo acertar e prosseguir

Irmãos, confrades, amigos! Quis a graça de Deus e quiseram meus colegas, que eu fosse chamado a presidir a missa do Coração de Jesus, no dia dos meus 77 anos de vida. Desde já agradeço esta deferência.

No domingo passado meditei sobre São Paulo e suas fraquezas, mas também sobre sua perseverança e sua persistência na busca da caridade e da fidelidade a Jesus.

Recordo a passagem do domingo passado.

1 Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; 2 Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade. 3 Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. 4 Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. 5 Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o SENHOR; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. 6 Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. 7 Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. 8 Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. 9 Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; 10 Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; 11 E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal. 12 De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. 13 E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos. 14 Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também por Jesus, e nos apresentará convosco. 15 Porque tudo isto é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de Deus. 16 Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.

De um jeito ou de outro nossa Igreja lembra São Paulo de Tarso. Hoje também lembramos São João Paulo II, Irmã Dulce, dom Paulo, Dom Luciano Mendes e alguns bispos e padres que nunca se calaram e nunca desanimaram mesmo com intensos sofrimentos. A vida não lhes foi fácil. Para nenhum deles. MAS MESMO NÃO SENDO Dehonianos viveram reparando pelo nosso país e pensando o tempo todo no nosso povo. Todos eles tinham ternura e simplicidade. Continuaram remando a favor ou contra a corrente. Mas não pararam de remar.

Olho o Brasil e a Igreja de hoje e vejo que o desânimo, a crise e a insegurança do que são, ou do que querem ser, têm feito de muitas vítimas na política e nas Igrejas. Como dehoniano penso no Padre Dehon que também sofreu enfermidades desde jovem, críticas e oposições o tempo todo, proibições e calúnias. Mas nunca desanimou e nunca se calou. Era de corpo frágil, mas de determinação inquebrantável.

O Brasil de hoje está sendo levado pelos ventos ou vendavais da política e muita gente não consegue pisar firme no chão. Balança perigosamente como caniço agitado pelo vento da política. O Brasil balança perigosamente e sem lideranças confiáveis. O que esperar de um dehoniano num país instável como o nosso? Firmeza e muito estudo e leitura, além da nossa mística reparadora.

Pecados e erros todos nós temos. Carregamos tesouros em vaso de barro. E nós somos este vaso, frágeis, quebradiços e alguns deles estilhaçados.

Machucados por dentro e por fora por não conseguirem segurar suas tendências, nem suas preferências sexuais ou políticas, teimosos em não ouvir seus educadores, está difícil para a Igreja ver a disciplina dos dogmas, da liturgia, da moral católica e da pregação oficial que vem do Vaticano. Cada grupo faz o que quer e o individualismo está golpeando nossa Igreja.

A Igreja quer se atualizar, mas nem todos os pregadores querem se atualizar. Está bom para eles e atualizar-se exige muito esforço, muita leitura e muitos novos conhecimentos. Então optam pela repetição e pela mesmice… A mesmice é um dos sofrimentos da nossa Igreja no Brasil e no mundo.

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Não quero a Igreja de 1950. Quero a Igreja dos últimos papas e as atualizações destes papas. Quero uma igreja suficientemente conservadora e devidamente avançada para que o povo sofra menos.

Quero uma igreja na qual os gurus famosos e midiáticos que arrebanham multidões para suas ideias de voltar à Igreja pré Vaticano II, tenham menos importância do que os bispos diocesanos , a CNBB e o Papa Francisco. Quero uma Igreja na qual padres, freiras e leigos não caiam na mentalidade anti-Vaticano II porque o tempo é de IR AO POVO, de sair das sacristias e respeitar a liturgia de ontem, de não inventar liturgias estrambóticas, e de atualizar sem perder o respeito pelos dogmas e doutrinas de assinadas pelos últimos papas depois dos Vaticano II.

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Três homens do século IV, pelos idos dos anos 318 até meados do século, chamam a minha atenção. O carismático padre cantor, bonito que só ele, teólogo negro, Ário de Alexandria que arrastava multidões com sua beleza e suas canções. Se fosse hoje talvez estivesse no rádio e na televisão, mas tinha conteúdo para isso. Era culto. Evangelizava o povo cantando e convencia os fiéis sobre a natureza do Cristo. Era estudioso de Cristologia. Muita gente o seguiu por isso, não só porque era bonito e cantava bonito. Segundo ele, Jesus era um ser humano ultra especial que não veio de diretamente de Deus, mas que Deus um dia divinizou. Para ele, Jesus era um homem divinizado. Mas não era divino: fora divinizado pelo Pai.

O bispo Dom Marcelo também muito conhecido naqueles dias, concluiu que Jesus era mais ou menos humano e mais ou menos divino, porque era semelhante a Deus, HOMO-I-OUSO mas não era como Deus como o Pai.

O bispo da mesma diocese, Dom Atanásio, bispo do Padre Ário, este quase esquelético, negro, excelente teólogo e polemista sustentou que Jesus era o Cristo, o Filho que sempre existiu e era um só como Pai e com o Espirito Santo. O Filho se encarnou, era totalmente homem, mas nunca deixou de ser divino. Assumiu também a natureza humana por amor de nós. Sua tese venceu. Jesus tinha um coração humano e divino centrado na Trindade Santa, mas solidário com nossos sofrimentos e com as nossas esperanças. Ele assumiu nossas dores.

Nenhum dos três pregadores era mau ou tinha má intenção. Os três queriam explicar Jesus. Mas tinham conteúdo PARA ISSO, porque eram estudiosos. A tese de um deles venceu e as teses dos outros perderam. Mas não podem ser chamados de OPORTUNISTAS POR usar púlpito de maneira irresponsável. Quiseram explicar Jesus, mas tinham estudos suficientes para isso. Estudavam a Bíblia e as ciências da época. Eram pensadores e catequistas sérios. Eles nunca deixaram de estudar Jesus.

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O quadro de pregadores das várias igrejas de hoje é outro. Muitos estão pregando o que acham que Jesus é e foi, e não o Jesus sobre o qual milhares de pensadores se debruçaram exaustivamente para aprofundar sobre sua pessoa.

Falar sobre Jesus e seu coração exige muito estudo. São Paulo lembra isso novamente em Efésios 3,12-21,

14 Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, 15 Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome,

16 Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; 17 Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, 18 Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, 19 E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

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Quiseram que eu pregasse no dia dos meus 77 anos e na festa do Sagrado Coração. É isso o que eu penso, tendo lido a vida e os escritos do Padre Dehon que era estudioso do Cristo e da Igreja e tendo visto grandes santos em ação com os quais tive a graça de trabalhar é isso que lhes passo nesta missa.

Orem por mim. Oro por vocês enquanto admiro o caminhar desta casa. E espero não destoar muito do que se tenta viver aqui que é uma casa de estudos e de vivência fraterna. Eu acho que vocês se querem bem. Não se espera outra coisa de um religioso dehoniano… FIXAR, MODIFICAR, REPARAR, CONSERTAR, APROFUNDAR, ATUALIZAR, TORNAR MAIS VIAVEL SEM DETURPAR, enfim como o próprio termo grego diz; CATEQUEIN: repercutir o que Jesus e os apóstolos pregaram, sem deturpar o seu sentido original. Dehoniano não improvisa. Estuda o que vai dizer para repercutir sem a mesmice de quem não leu nem se preparou para subir àquele púlpito!

Era isso que Padre Dehon queria. É isso que os papas pedem desde o Concílio Vaticano II.

P. Zezinho SCJ.

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