Dehonianos - Província BSPArtigosMEMÓRIAS DA NOSSA HISTÓRIA

MEMÓRIAS DA NOSSA HISTÓRIA

Conventinho de Taubaté. Os Dehonianos no Vale do Paraíba

8.3.5. Padre Castor Clemente Britzen
Padre Britzen nasceu a 19.6.1875 em Dahlem/Bitburg (Eifel), Alemanha. Foi missionário no continente africano (Zaire, de 1903-1914) onde, durante 11 anos, com grande ardor apostólico ergueu capelas e altares e pregou com sucesso a Palavra de Deus.
Desde 1920 até a morte foi exímio docente de filosofia e dogma em Taubaté, primeiro no seminário diocesano (de 1920 até 1.8.1924 e de 1930 a 12.1934) e depois no Conventinho. Durante o ano de 1929 exerceu o cargo de reitor no Seminário Diocesano de Campanha (MG).
Padre Britzen era conhecido e estimado pelo clero e pelo povo por causa de sua bondade e sabedoria. Pessoalmente, sem o trabalho braçal e sem a evangelização das crianças, achava suas aulas de teologia incompletas. De fato, tinha grande zelo pela catequese às crianças. Junto do povo, estava sempre cercado de crianças, contando histórias, razão pela qual era conhecido como grande amigo das crianças. Por diversos anos deu assistência pastoral à capela de Santa Cruz do Areão (hoje esta capela pertence à paróquia do Sagrado Coração de Jesus).
Por longos 25 anos, foi capelão do Asilo dos Mendigos, percorrendo cada manhã o trajeto de um quilômetro para celebrar a missa naquela instituição de caridade.
Padre Britzen primava pelo cuidado com a chácara e pelas coisas do velho Conventinho. Era o “Patriarca da Chácara dos Padres”.
Além dessas qualidades, foi conselheiro provincial de 1934 a 1941. Segundo informação de padre Zezinho, no seu quarto, havia apenas a cama, uma mesa e alguns livros. Vivia a pobreza de maneira exemplar. Nunca ia para a sala de aula sem primeiro dar uma volta pela chácara, colocar flores junto às estátuas de São José, de Nossa Senhora e do Coração de Jesus. Ali rezava pelos alunos e só então ia dar aula.
Nessa humildade, ele morreu aos 28 de outubro de 1948 no Conventinho e está sepultado em nosso cemitério {cf. José Fernandes, op. cit., pp. 68-69}.

8.3.6. Padre João Cristóvão Fischer
Nasceu aos 8.9.1878 em Nettersheim (Eifel), na Alemanha. Depois de ordenado, veio logo para o Brasil Meridional (1908-1914). Durante a primeira Guerra Mundial foi capelão militar. Gostava de mostrar a sua fotografia em uniforme e a sua condecoração: a Cruz de mérito que conservava com muito orgulho. Era um homem de colossal estatura. Pesava garantidamente 130 quilos. Uma figura imponente, sem dúvida, em todo sentido, tanto em estatura, quanto em espírito.
Padre Fischer foi professor de moral e direito canônico no seminário diocesano (de 1920 a 1.8.1924 e de 1930 a 1934) e no Convento SCJ de Taubaté. Era conhecido como homem de visão pastoral, eminentemente prático. Por pouco tempo foi reitor em Corupá (de 1.1.1938 a 6.1940). Viveu 30 anos em Taubaté.
Fez enorme bem pelos múltiplos serviços prestados na formação do clero diocesano e da Congregação no Vale do Paraíba. Ele amava profundamente o povo simples, os pobres e os colonos. Uma boa parte de seu tempo, dedicou ao atendimento das comunidades rurais, especialmente aquelas situadas no trajeto da estrada Taubaté – São Luís do Paraitinga (SP). Construiu as capelas do Registro, da Fortaleza e do Pinhal. Morreu em Taubaté aos 13.8.1954.
Os restos mortais desse valoroso confrade repousam no cemitério do Conventinho. O povo da Vila São Geraldo reconheceu o seu trabalho e honra-o com amor e gratidão, com uma rua que leva seu nome {cf. José Fernandes, op. cit., pp. 52-53; Crônicas Decker, pp. 6-7}.

8.3.7. Padre João da Cruz Pascoal Lacroix
Nasceu a 16.3.1879, em Kleinebersweiler, Alsácia-Lorena {Então, Alemanha; hoje, França}. Foi missionário no Zaire de 1907-1915. A partir de 1915 até 1963 viveu no Brasil.
No seu tempo, a Congregação era conhecida como “os Padres do padre Lacroix”. Ele figura entre os contemporâneos do Padre Dehon, em quem se inspirou para lançar-se denodadamente no setor da Boa Imprensa, como então era conhecido o apostolado dos MCS.
Era conhecido como homem que não perdia tempo. Madrugava para escrever seus livros. O dia estava cronometrado, para tudo tinha hora marcada. A Liturgia das Horas rezava andando na calçada em roda da casa, em qualquer tempo, com sol ou com chuva, no último caso, com o guarda-chuva aberto. Era grande devoto de Santa Terezinha a quem atribuiu a cura do câncer que tinha na língua.
Outro aspecto muito interessante da vida do padre Lacroix era a abertura e o espírito de contribuição para o progresso da sociedade. Assim, em Varginha (MG), abriu uma fábrica de cerveja e um curtume, além de angariar fundos para a construção do Colégio das Irmãs. Em Castro (PR) chegou a construir uma granja de galinha.
Padre Lacroix foi um homem que respeitava muito as pessoas e nelas confiava demasiadamente, razão porque muitas vezes foi enganado, o que lhe revertia em grandes prejuízos. Não era bom administrador. Mas extremamente obediente e humilde; proibido pelo padre Poggel de viajar na sua velhice, aceitou essa ordem, mas continuou escrevendo. Seu último livro foi A Solução pelo Dízimo.
Boa parte dos anos da vida ele a viveu em Taubaté. Suas últimas palavras foram: – “Padre Valério, diga ao provincial que eu nunca quis errar. Eu sempre quis acertar! – Me dá meu amigo!” Trouxeram a estátua do Coração de Jesus. Fixou-a por duas horas e foi lentamente apagando. Morreu placidamente a 20.12.1963. Repousa no cemitério do Convento SCJ de Taubaté {cf. José Fernandes, op. cit., pp. 77-79}.

 

Pe. José Francisco Schmitt, scj.

Comments are closed.