Dehonianos - Província BSPDestaques VocacionalVIII ENCONTRO DE PASTORAL VOCACIONAL DEHONIANA

VIII ENCONTRO DE PASTORAL VOCACIONAL DEHONIANA

Entre os dias 3 e 7 de junho, na cidade de Quito, no Equador, aconteceu o VIII ENCONTRO DE PASTORAL VOCACIONAL DEHONIANA, da América Latina, com o tema: Só te falta uma coisa (cf. Mc 10,21). Estiveram presentes sacerdotes e religiosos do Brasil (BSP, BRM e BSP), Equador, Venezuela, Chile e Uruguai. Ao todo 10 religiosos.

O primeiro dia foi marcado com a partilha e apresentação das realidades vocacionais de cada Província.

No segundo dia do encontro contamos com a presença do pe. Carlos Man, sj, que trabalhou a tema: Acompanhamento Pessoal na Pastoral Vocacional. Ressaltou que no acompanhamento vocacional precisamos orientar e ajudar aos jovens a conhecer-se, a dar nome a verdadeira intimidade da própria pessoa e que ao adentrar a vida do próximo devemos “tirar as sandálias”, pois o local que pisamos se constitui sagrado.

O Acompanhamento Vocacional se destaca como um partilhar da caminhada com o outro. De poder observar o sentir, o caminhar e o desenvolver do outro no discernimento com o Espírito Santo. Destacou que para acompanharmos precisamos escutar, e, nessa escuta se implica presença. Não existe acompanhamentos perfeitos, devidos aos diversos aspectos psicossociais existentes na história dos jovens que nos procuram.

Trabalhou também a Encíclica Christus Vivit: 210, 211, 213, 215, 217, 224, 225, 242, 243, 244, 245 e 246. E reforçou que o atendimento Vocacional não é somente um horário estabelecido para conversar, mas deve existir uma continuidade, através de leituras, tarefas, de experiências e serviços apostólicos, existindo um método e uma ordem para se alcançar uma maturação na caminhada, estabelecendo uma iluminação através da realidade e da história do jovem.

A tarefa do promotor vocacional é ajudar o jovem a superar suas dificuldades em um processo de conhecimento de si. O acompanhamento se estabelece como um Ministério da Igreja, pois se comunica através da relação com próprio Espírito Santo. Sendo assim, se expressa como um serviço da Igreja. O Acompanhamento precisa ser compreendido como: Arte de Acompanhar. Como exemplo o artista que colhe e conhece a realidade, para transformar em arte. Nesse caso devemos atuar a partir da essência de cada um com a presença do Espírito, transformando as possíveis realidades dos jovens em vida, em processo de discernimento, em maturidade pessoal e cristã. A Arte do Acompanhamento deve ter por saldo o Serviço da Formação Integral: O acompanhamento como objetivo principal e meta primordial o encontrar-se com Deus.

O caminho é apresentar a realidade e as possibilidades de acordo com a vontade de Deus. A “chegada” desse processo e método é reconhecer a vontade de Deus na história de cada jovem. Isso se faz precisamente com a presença da vida de oração. Não se realiza um discernimento sem oração. Não se consegue acompanhar sem expressar o que está sentindo e vivendo na vida de oração. É preciso dar-se através de uma relação, no qual se partilha da vida com requisitos: Relação de ajuda que se faz na liberdade. Tendo consciência que é um Ministério gratuito, feito de forma honesta e desinteressada. A Relação estabelecida com condições (“Contrato”), com clareza de funções e orientações: A mensagem deve ser clara, estabelecida pelo acompanhador. Tem que ter ordem e método, estabelecer regras (datas, horários, local, presença física, estabelecer uma liberdade para conversar sobre os temas). O acompanhamento se expressa como um verdadeiro equilíbrio. Para isso o Acompanhador Vocacional também necessita ser acompanhado, realizando também um processo de reconhecimento de si, adquirindo equilíbrio. É preciso compreender que o acompanhador também tem a capacidade de transferir suas percepções, emoções e atitudes para os acompanhados, podendo ser elas de aspectos positivos ou negativos. Se estabelecendo como transferências e contratransferências.

Instruiu-nos sobre a FORMAÇÃO PERMANENTE como uma eterna experiência de ser acompanhado. Reconhecendo e assumindo nossas alegrias, tristezas, desejos, vontades, para assim ajudar o acompanhado no processo vocacional, e para não confundir as sensações e sentimentos. Temos a necessidade de nos conhecer em Profundidade, de realizar um autoconhecimento e integração pessoal. Para isso é preciso estar atento aos acontecimentos do mundo e da sociedade, realizar aprofundamentos temáticos de Teologia Espiritual e participar de oficinas e cursos teórico-práticos de conhecimentos teológicos, sentir e acompanhar a vida.

Por fim, P. Man trouxe informações sobre Abusos na Infância, fazendo uma relação naquilo que é mito e realidade. Com o intuito de orientar-nos, para que em nossas observações e acompanhamentos possamos identificar possíveis realidades de abusos.

No terceiro dia a Ir. Alexandra Alvear, trabalhou a temática: A Prática do Acompanhamento Vocacional. No primeiro momento falou sobre os paradigmas nas etapas formativas. Destacou que essa temática é de grande importância, pois precisamos perceber em que paradigmas fomos formados e qual paradigma é predominante segundo nossos valores e práticas na vida cotidiana.

Modelo Clássico: Modelo de assimilação, tem que cumprir as normas, os agentes de formação são os que sabem, os formandos são os que não sabem e se esperam deles que aceitem a formação, os modelos formativos acabam na profissão perpétua e não observam o contexto, os valores expressos na vida interior, a observância, a submissão e a mortificação. Consistentes e eficazes. Pessoas maduras e bem fundamentadas. Desvaloriza a comunicação, a reflexão e o diálogo. Desestimula a realidade do mundo.

Modelo Moderno: A pessoa busca a humanidade perdida. Consiste na autorrealização. Prioriza o bem-estar da pessoa. Um modelo humanista. Acredita na força das relações. Acentuação nos valores subjetivos: consciência, liberdade, responsabilidade, máxima individualização, recuperação e reforço da identidade. Os agentes formativos ajudam as pessoas a serem pessoas. Os formandos são protagonistas. Os meios formativos incorporam elementos das ciências humanas: psicologia, sociologia. Os planos de formação são totalmente individualizados. Modelo efêmero e inconsistente, porque não existe bagagem e conteúdo para reflexão. Difícil convivência com o Modelo Clássico.

Modelo Avançado: Prioriza-se a missão e a comunidade para a missão. Anúncio do Evangelho. A palavra-chave é comprometer-se. Surge-se comunidades nos meios populares em favor dos mais pobres. Aqui se expressa a inculturação. Se estabelece como um modelo profético. A formação consiste em incorporar seus membros no desejo da missão. Se desvaloriza o acompanhamento pessoal, substituído pelo comunitário. Os meios formativos se expressam exclusivamente para a missão. A Vida Religiosa toma consciência profética. Se focaliza os interesses pela justiça. Valores dominantes são a analise social e a luta contra as estruturas. Visão do mundo positiva e critica. Déficit de discernimento e reflexão.

Modelo Integral: Se vive de uma forma muita contextualizada. Paradigma teologal-integral. O núcleo da Vida Religiosa é a busca de Deus, devidamente contextualizada, na liberdade e na graça. Será um modelo teologal e integrador. Modo de entender o ser humano no que o constitui quanto a alteridade e interdependência. Modelo de comunicação é o diálogo e o encontro que é a base da convivência.

Na segunda parte do dia explanou sobre o processo de acompanhamento entre acompanhador e acompanhado (Liberdade de Coração). Muitas vezes nos sentimos sem os instrumentos necessários para poder acompanhar a quem nos procuram. Precisamos conhecer o estilo de vida e história da pessoa que acompanhamos. Todos podemos crescer graças as relações que construímos com as demais pessoas. As crianças se identificam com os pais, os adolescentes buscam outras pessoas (referências) para crescer e os adultos necessitam das relações. Vivemos sempre em um processo de identificação. A pessoa precisa relacionar-se para que dentro dela possa existir a autonomia. Viver nesse processo nos ajuda na nossa personalidade. A relação de acompanhamento é uma relação assimétrica. Se estabelecendo num ambiente educativo entre acompanhador e acompanhado.

A maturidade do educador subentende três disposições: I. Acolher – Que coisas acolhemos? As experiências das pessoas, a vida cheia de coisas e acontecimentos concretos, escutamos a pessoa, recorremos em primeiro lugar a história pessoal; escutar o seu lado consciente. Não interessa somente os fragmentos da vida da pessoa, interessa ver como a pessoa organiza, que conclusões afetivas possui, não é ideia ou teorias, é dizer sua lógica de vida, seu lema. Acolher não quer dizer aceitar, mas significa simplesmente escutar. Permito deixar quem tu és, sem escandalizar-se. II. Reciclar: O ponto mais importante e forte do processo, no qual reciclamos através da nossa maturidade com a consciência que nem tudo podemos compreender. III. Restituir: Uma vez entendido sua interioridade, elaboramos um caminho. Traçamos uma conduta. Guiamos e seguimos com um itinerário que realizamos juntos, no caso que se tenha crescimento e não frustração. É um instrumento educativo.

Conclui insistindo que “o modo como te tratam, aprenderás a tratar. Porque meu modo de tratar-te se inspira no modo como Deus trata a pessoa humana. Através do meu relacionamento contigo, não te trarás a mim, mas a experimentar o olhar de Deus, com a ajuda da graça divina. Ler-se e interpretar-se à luz de Deus”.

No quarto dia trabalhamos a importância das redes sociais na promoção vocacional, o quanto ainda precisamos avançar e como este caminho é sem volta. Padre Diego Martins, da Província BRM, partilhou as diversas experiências neste campo e seus resultados. Em seguida partilhei o trabalhou da MDJ como despertar para o carisma dehoniano e promoção vocacional. Por fim, padre Gregório, da Venezuela, partilhou o trabalho realizado com os leigos na promoção e despertar vocacional dos jovens.

No último dia trabalhamos as propostas a serem enviadas para os provinciais da América Latina e o projeto Latino Americano de promoção Vocacional, enfatizando o fortalecimento da presença dos leigos neste caminho.

Enfim, foram dias de partilhas, estudos, aprendizados e fortalecimento das realidades provinciais vocacionais. Estamos no caminho de pensar as diversas realidades vocacionais com o SINT UNUM de nossa presença Latino Americana, trocando experiências e partilhando um projeto comum, não obstante as realidades regionais.

Jesus Providente, providenciai vocações!

P. Reginaldo Sturion SCJ
(Diretor do Convívio Vocacional Dehoniano, Terra Boa/PR).

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