Dehonianos - Província BSPArtigosMemórias da nossa História

Memórias da nossa História

Conventinho de Taubaté. Os Dehonianos no Vale do Paraíba

CAPÍTULO 7
TERCEIRO PERÍODO: DE 1969 A 1997:
DA CONFERÊNCIA DE CORUPÁ ATÉ OS DIAS DE HOJE

7.1. A histórica decisão: o teologado fica em Taubaté

A formação à vida consagrada e ao ministério sacerdotal situa-se entre as tarefas mais importantes da Província Brasileira Meridional. Essa foi sempre a grande preocupação dos superiores maiores da Congregação. Foram sempre os grandes temas de considerações por ocasião das visitas dos superiores gerais. A solicitude da província pela formação dos futuros religiosos e presbíteros, sob o impulso renovador do Concílio Vaticano II, fez com que se pensasse seriamente em criar um Instituto filosófico e teológico em Curitiba. É o assunto que nos ocupará por alguns instantes.

Desde 1963, a criação desse Instituto vinha sendo estudada, discutida e até foi aprovada pelos conselhos provincial e geral. Por isso, chegara o momento de concretizar o projeto, iniciando a construção do prédio para os cursos de teologia e de filosofia, na capital paranaense {Já em 1930, na histórica visita canônica do superior geral à província, padre José Philippe, em Jaraguá do Sul, entre diversas decisões tomadas, configurava ao futuro Seminário Teológico que seria em Brusque. Em virtude de algumas circunstâncias, tal decisão não veio a se concretizar (cf. Koch, op. cit., p. 80)}.

O primeiro ato concreto foi a perfuração de um poço artesiano. O trabalho começou justamente no dia 12 de agosto de 1964, dia do aniversário de falecimento do Fundador a quem foi feita uma novena, pedindo pelo feliz êxito da perfuração. E deu certo, pois até hoje o poço fornece água para o Instituto Dehonista {Informação de padre Osnildo Carlos Klann (março de 1997)}.

Entre as razões elencadas para a referida transferência, estava a precariedade das casas de Taubaté e de Brusque. Outra razão levantada na época, foi a quase geral convicção de que teologado e filosofado deveriam estar sediados num mesmo estabelecimento. Além disso, nossa província, como muitas outras, havia-se comprometido em participar do projeto de concentrar em Curitiba os seminários maiores de filosofia e de teologia, para fazer da capital parananese um grande centro de estudo eclesiástico {Informação de padre Osnildo Carlos Klann (março de 1997)}.

Na verdade, estava decretada a transferência da teologia de Taubaté para Curitiba, onde já se estava construindo um enorme prédio que seria o Instituto Filosófico- Teológico {Depoimento dado em entrevista por dom Couto, em O CONVENTINHO, junho de 1984, p. 1. Mesmo antes dessa decisão, já em 1958, havia o plano de transferir o curso de Filosofia para Curitiba, quando com esta finalidade fora adquirido o terreno na Vila Hauer (cf. Koch, op. cit. p. 195)}.

Surgiram, todavia, hesitações e objeções tanto ao plano de obras quanto à finalidade inicial, em razão de novas perspectivas derivadas da evolução histórica. Foi então, que o padre Irineu Decker convocou uma reunião-diálogo de representantes de diversas casas com o conselho provincial para o dia 12 de outubro de 1967, em Corupá. O provincial recolocou a questão do destino dos cursos de teologia e filosofia. Na votação, a preferência por Curitiba levou a melhor, com 12 votos a favor e 5 contra. Chegou-se às seguintes resoluções: 1o) conservar a finalidade inicial; 2o) restringir e modificar o plano de obras. Essas resoluções, porém, não atenderam às exigências das novas perspectivas e parece que não corresponderam à opinião da província {cf. Koch, op. cit., p.196; Conferência provincial da Província Brasileira Meridional (Corupá, 15- 23.7.1969), pp. 85-86}. Como a votação tinha somente caráter consultivo, a questão foi levada à Conferência da Província Brasileira Meridional, que teve lugar em Corupá, de 15 a 23 de julho de 1969.

Enfim, a grande decisão histórica da Conferência Provincial em Corupá foi esta: a Teologia ficará em Taubaté, aberta para outras congregações e dioceses do Vale do Paraíba e Sul de Minas.

A formação dos presbíteros, porém, exige bem mais do que a definição de locais. Importa, sobretudo, a existência de uma comissão de Formação – professores, estudantes e demais religiosos – orientados para a formação integral {cf. Conferência provincial da Província Brasileira Meridional, pp. 85-87}.

O projeto Curitiba para Teologia e Filosofia, depois da decisão da Conferência provincial de Corupá (1969), foi modificado. E o prédio que estava sendo construído, com grandes sacrifícios e morosamente foi destinado ao 2o grau de nosso seminário, que começou a funcionar lá, em 1972.

A decisão de abrir as portas de nossas casas de formação às dioceses e a outras congregações deu à Brasileira Meridional dos Padres SCJ uma maior dimensão de Igreja. E trouxe um grande incentivo ao corpo docente e enriquecimento aos estudantes de teologia da província pela convivência e intercâmbio Província de experiências {cf. Depoimento de dom Couto, in: O Conventinho (jun. 1984), p. 2}.

Pe. José Francisco Schmitt, scj.

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