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PEREGRINOS NOS CAMINHOS DE APARECIDA

Ó, vem conosco, vem caminhar, Santa Maria, vem!

 

O texto de Atos (At 22,4) nos permite conhecer que os cristãos, em princípio, eram designados como “seguidores do caminho”. Não era para menos, uma vez que Jesus mesmo identificou-se como o Caminho (Cf. Jo 14,6), e pediu a tantos quantos aceitassem seu projeto, que o seguissem (cf. Mt 9,9), ou seja, que aderissem à sua disciplina (discípulos) e, portanto, que se pusessem em marcha, após Ele (Cf. Lc 9,23).
Sob certo aspecto, toda a fé cristã, legatária da tradição judaica, é uma fé itinerante, marcada pelo mandato do Senhor a Abraão: “Vai da tua terra” (Gn 12,1). O “ir”, então, é distintivo do cristão. Maria também foi! Sabemos, por exemplo, que aquela que levava em seu ventre o Caminho, pôs-se a caminho, “dirigindo-se apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá” (Lc 1,39).
Nesta perspectiva, também nós, alguns dos fratres do primeiro ano de Teologia, do Convento Sagrado Coração de Jesus – Taubaté – SP, decidimos ir, caminhar, peregrinar. Na noite do último dia nove, José Zorer, Roberto, Rodrigo e eu saímos de Taubaté para ir à basílica de Aparecida. Não tão “apressadamente” como Maria, é verdade, mas percorremos os 40 quilômetros do trajeto buscando dar sentido àquela caminhada, fazendo dela uma verdadeira experiência espiritual.
Juntamo-nos às centenas (talvez milhares) de peregrinos que faziam a mesma experiência que nós. Nos dois lados da rodovia por nós percorrida, os acostamentos estavam verdadeiramente repletos de devotos, das mais variadas idades, alguns dos quais, inclusive, vindos de ainda mais longe. Cruzes e imagens da padroeira do Brasil eram alguns dos objetos que carregavam consigo, em sinal de penitência, gratidão e petição.
Caminhamos das 20h do dia 9 às 05h do dia 10, praticamente todo o tempo sob uma garoa, que se intensificou nos últimos quilômetros. Ao frio e à chuva se sobrepôs o calor, quer do café, quer do afeto solidário daqueles que nos prestavam assistência, em algumas tendas espalhadas pelo caminho, nas quais tivemos acesso à uma sóbria, mas muito oportuna refeição.
Esta caminhada acontece anualmente, sempre às vésperas da Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (celebrada aos 12 de outubro). É interessante notar que essas peregrinações ao Santuário não são diretamente organizadas por ele, mas são iniciativas do povo, expressão de sua fé e do amor que nutre pela Mãe de Deus. Há muitos anos isto acontece, à exceção de 2020, quando, pelas restrições da pandemia, o santuário não pôde acolher os fiéis.
Dos aprendizados do caminho, ficou, sobretudo, a beleza singular da fé simples do nosso povo, que também é um privilegiado locus para se fazer teologia; além da certeza de que, nos tantos caminhos árduos da vida, quando, por vezes, desistir nos vem à cabeça, Maria caminha conosco e não cessa de apontar-nos o Caminho: seu Filho Jesus.

 

Fr. Renato Vieira Lima SCJ (Conventinho e Faculdade Dehoniana de Taubaté)

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